SEJA BEM VINDO, QUE A PAZ DE CRISTO REPOUSE SOBRE A SUA VIDA.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A capelania carcerária e a igreja brasileira na atualidade


A CAPELANIA CARCERÁRIA E A IGREJA BRASILEIRA NA
ATUALIDADE

 Caramuru Afonso Francisco


“Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo.” (Hb.13:3).
 Falar em capelania carcerária nos dias em que vivemos não é um assunto fácil que se possa enfrentar, pois o aumento da criminalidade e da violência, fatos já previamente preditos pela Palavra de Deus para estes últimos dias da Igreja na face da terra, faz com que se veja, mesmo entre os que cristãos se dizem ser, como um contrassenso procurar o que se entende serem “benefícios” àqueles que se encontram encarcerados, máxime num país onde a impunidade atinge níveis alarmantes como é o caso do Brasil.

 No entanto, o escritor aos hebreus, quando já terminava o seu tratado, partindo para as recomendações finais aos seus leitores, que eram cristãos hebreus que se encontravam abalados na fé, diz a eles que deveriam “permanecer na caridade fraternal” (Hb.13:1), caridade fraternal, que é, a um só tempo, resultado do cumprimento do mandamento de Cristo (Rm.12:10; I Ts.4:9; I Pe.1:22) e o penúltimo estágio do desenvolvimento espiritual do cristão (II Pe.1:4-7). Pois bem, um dos pontos em que esta “caridade fraternal” se deveria manifestar era na “lembrança dos presos”.

 A expressão do autor da epístola já mostra, de início, que a evangelização dos presos é algo que precisa ser lembrado. E por quê? Porque desde os tempos em que esta epístola foi redigida, por volta dos anos 60 da nossa era, o sistema prisional já era moldado na sociedade como um “lugar de esquecimento”.
 O fato é que, embora se diga hodiernamente que uma das funções da pena seja a da reinserção do condenado ao convívio social, o sistema prisional é sempre visto como um “depósito de pessoas indesejáveis”, de um local para onde as pessoas que não se conformaram com os princípios básicos da convivência devem ser lançados, para de lá nunca mais saírem, para de lá nunca mais atormentarem
a sociedade.

 Pois é precisamente este pensamento, esta mentalidade da sociedade que o Evangelho de Cristo desafia e infirma. A existência de encarcerados precisa ser continuamente lembrada pois é o sistema prisional a maior prova de que o homem não pode salvar-se a si mesmo, de que a vida pecaminosa não termina bem e que pecar não é a opção que traga ao homem felicidade ou bem-estar. A sociedade, maculada pelo pecado, quer, sim, lançar para fora de si todos aqueles que desmentem veementemente os enganos e os ardis do
maligno, pois a presença de criminosos e as funestas consequências da vida do crime fazem com que todos percebam que viver sem Deus, desobedecer ao Senhor somente traz destruição.

 Em suma, a população carcerária, em uma dada sociedade, é a maior evidência de que o apóstolo Paulo tinha razão ao dizer que “o salário do pecado é a morte” (Rm.6:23). Esta “amnésia” extremamente conveniente para o mistério da injustiça na sociedade que leva o sistema prisional a ser esquecido por todos deve ser, sim, enfrentado pela Igreja, por este povo salvo por Cristo Jesus, que vem proclamar a Verdade, e quem deve fazê-lo é, precisamente, o trabalho específico para o tratamento destes encarcerados, ou seja, a capelania carcerária. Se o autor da epístola aos hebreus for o apóstolo Paulo, como entende a maioria dos estudiosos da Bíblia, temos, então, uma afirmação que parte de alguém que se encontrava preso (Hb.13:23,24,que são as principais evidências da autoria paulina revelam que Paulo se encontrava preso em Roma quando escreveu esta carta) e que, portanto, sabia muito bem o que significava este “esquecimento”,
inclusive da parte dos irmãos.

 E hoje não é diferente. Este “esquecimento” dos presos, sua total desconsideração enquanto agentes sociais não é algo que advenha apenas daqueles que não professam a fé cristã. A própria Igreja precisa ser “lembrada” dos presos, apesar de serem eles, no Brasil, mais de meio milhão de pessoas, ou seja, uma
população considerável que precisa ser evangelizada. Há uma grande resistência no interior da Igreja quanto ao trabalho de evangelização dos presos, tidos como pessoas “irrecuperáveis”, como pessoas “indignas” do perdão divino, como pessoas que precisam “pagar pelo que fizeram”. É, mesmo, alarmante o número de cristãos professos que é favorável à pena de morte.

 O primeiro desafio, portanto, que se apresenta à capelania carcerária é o de fazer os cristãos se lembrarem dos presos, para que, em assim fazendo, possam levar avante este imenso trabalho de ganhá-los para Cristo. Esta lembrança, como nos ensina o autor da carta aos hebreus, não é algo espontâneo, nem algo que advenha de uma vida piedosa, mas algo que deve ser estimulado, incentivado e desenvolvido nos corações dos crentes. Temos mesmo que esta resistência existente no seio da Igreja torna o trabalho de evangelização dos presos um tanto quanto diverso dos demais trabalhos existentes, inclusive de outras capelanias. No tocante aos presos, vemos, com grande clareza, que há muito menos obstáculo de evangelização do que com relação a outros grupos. Senão vejamos.

 Os encarcerados são pessoas que estão a experimentar a realidade do mundo injusto e pecaminoso em que vivemos. Uma vez no sistema prisional, estão a vivenciar, já na terra, o que é o “inferno”, pois, via de regra, é assim que eles mesmos descrevem a situação em que se encontram, até porque as condições de sobrevivência nos presídios são as piores possíveis, o que, inclusive, foi admitido recentemente pelo próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que foi franco ao dizer que, se fosse condenado a uma pena privativa de liberdade, preferia a morte a cumprir a sanção que lhe fosse imposta.

 Ora, é precisamente por causa disto que os encarcerados são um grupo em que a evangelização não precisará superar o obstáculo do engano e da mentira decorrentes do ilusionismo com o qual o inimigo de nossas almas mantém a cegueira espiritual dos incrédulos (cfr. II Co.4:3,4). Bem ao contrário, tais encarcerados, ao caírem no sistema prisional, percebem a hipocrisia e a falácia da sociedade pecaminosa que, tendo prometido prazer, poder e dinheiro aos criminosos, é a primeira a esquecê-los e a culpá-
los, uma vez tendo eles sido condenados pelo sistema judicial, pondo-os em condições sub-humanas e extremamente indignas, sem qualquer perspectiva de futuro. Uma vez confrontados com a realidade do pecado e da mentira, os encarcerados tornam-se, assim, muito mais propícios a receber a mensagem
do Evangelho e a verem em Cristo a sua única esperança de restauração.

 Mas,é precisamente para este grupo mais receptivo à mensagem do Evangelho que se levanta uma rejeição por parte da própria Igreja, rejeição esta que faz com que o estigma criado junto aos criminosos pelos demais homens, a começar do primeiro criminoso da história, Caim (Gn.4:15), gere nos próprios presos um sentimento de baixa autoestima (Gn.4:13,14), que, se não for devidamente tratada pela Palavra de Deus, porá esta maior receptividade a se perder. Assim, a capelania carcerária precisa lutar mais contra a rejeição por parte da própria Igreja do que com a rejeição por parte dos presos em seu trabalho. Esta “lembrança dos presos” recomendada pelo autor da carta foi vivenciada por ninguém mais, ninguém menos que o próprio Cristo. A primeira personagem que a Bíblia aponta como estando no Paraíso é, precisamente, um criminoso, um encarcerado que estava sendo executado, visto que condenado à morte: o ladrão da cruz (Lc.23:40-43). O primeiro “canonizado” foi, pois, um encarcerado, um condenado, prova de que, como imitadores de Jesus (I Co.11:1), não podemos, mesmo, deixar de “lembrar dos presos”. Mas, além da “lembrança dos presos”, que já se apresenta como um grande desafio para o trabalho da capelania carcerária, o escritor aos hebreus também mostra que deve haver, após esta lembrança, o sentimento de compaixão: “ como se estivésseis presos com eles”.

 Não basta nos lembrarmos dos presos, mas temos de assumir a sua posição, de nos colocar no lugar deles, pois isto é que é compaixão, palavra que significa “sentir o que o outro está sentindo”.  O exercício da compaixão está num dos mais importantes aspectos do ministério de Jesus Cristo que, ao Se fazer homem, demonstra Seu propósito de assumir o lugar do pecador, de sentir exatamente o que o homem sentia. Em Seu ministério terreno, Jesus sempre Se esmerou em ter compaixão pelo ser humano e, por causa disto, supriu as suas necessidades, como a cura de enfermidades (Mt.14:14) ou a satisfação da fome (Mc.8:2).

 Não há como se fazer uma bíblica e evangélica capelania carcerária se não houver tal exercício de compaixão, em que nos ponhamos no lugar do preso e verifiquemos que, diante das circunstâncias de vida daquele encarcerado, se não faríamos o mesmo ou até pior do que ele fez. Em nossa experiência, durante quase dez anos, como juiz de execução criminal, com encontro frequente com condenados, chegamos, muitas vezes, à conclusão de que, por muitas vezes, se tivéssemos tido a formação, os valores e princípios que tiveram muitos dos que se achavam atrás das grades, não teríamos feito o que eles fizeram para ser presos e condenados, teríamos feito coisas muito piores. Neste exercício da compaixão, notaremos sempre que os encarcerados, os criminosos, os delinquentes não são melhores do que aqueles que se encontram na sociedade como “homens de bem”. Na verdade, todos somos pecadores e precisamos igualmente da misericórdia divina e da salvação em Cristo Jesus. As Escrituras são explícitas ao mostrar que todos somos pecadores e estamos destituídos da glória de Deus, sem qualquer exceção (Rm.3:23; 5:12).

 A capelania carcerária, portanto, apresenta-se como um segmento da Igreja que faz com que os salvos entendam a sua real situação enquanto seres humanos, sendo um importante antídoto contra o desenvolvimento da soberba e da vaidade, que tanto mal causam aos que um dia encontram a salvação na pessoa benditado Senhor Jesus. Por fim, cabe-nos verificar que a capelania carcerária se apresenta, nesta difícil quadra da vida da Igreja no Brasil, como um segmento que terá de levar uma grande responsabilidade sobre seus ombros nos próximos anos. Estamos vendo, em nosso país, uma avassaladora implantação de um projeto anticristão que tem, por objetivo, o cerceamento da liberdade religiosa, a fim de tornar o exercício desta liberdade pública como uma alternativa meramente privada e doméstica e, assim mesmo, sujeita a múltiplas restrições.

 Recentemente, numa decisão extremamente preocupante, a Justiça estadual fluminense proibiu a pregação do Evangelho nos trens urbanos do Rio de Janeiro, fazendo cessar assim uma das mais tradicionais e antigas formas de evangelização na segunda metrópole brasileira. Pois bem, num instante em que se quer reduzir a liberdade religiosa ao extremo, a assistência religiosa aos encarcerados é um elemento que os governantes, mesmo que queiram, não podem abrir mão, pois tal serviço tem sido, reconhecidamente, um dos fatores que tem impedido a total derrocada do sistema prisional brasileiro.

 O aumento da criminalidade e da violência e a impunidade crescentes têm levado as autoridades a, mesmo a contragosto, levar em conta os reclamos populares para um endurecimento da legislação penal, que tem como consequência o aumento da população carcerária. Ora, ante as condições péssimas do sistema prisional e o total descontrole que o Estado tem para com este sistema, exige que as autoridades tenham de suportar e até prestigiar o trabalho de assistência religiosa nos estabelecimentos prisionais. Deste modo, percebemos, claramente, que será a capelania carcerária a única área de atuação da Igreja que ficará livre desta política de cerceamento, fazendo deste serviço do Reino de Deus aquele que permitirá a mitigação
e a manutenção da liberdade religiosa em nosso país. Assim, caberá à capelania carcerária o trabalho de impedir o sufocamento da pregação do Evangelho no Brasil, mais um desafio que terá de contar com a consagração e a busca de mais íntima comunhão com o Espírito Santo por parte daqueles que foram vocacionados para esta obra.

 Que o Senhor nos abençoe e que nos lembremos dos presos, que tenhamos dele compaixão e que nos unamos na sua evangelização, pois só assim o Evangelho poderá ser mantido um tanto quanto livre neste terra iluminada pelo Cruzeiro do Sul.

* Resumo de ministração da palavra no momento devocional da 3ª Reunião do Comitê Organizador de um Fórum Nacional de Assistência Religiosa aos Presos, promovido pelo Conselho de Capelania da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) em 11 de junho de 2013, na sede da Sociedade Bíblica do Brasil em São Paulo/SP.

** Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede – São Paulo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Lições Bíblicas: 3º Trimestre de 2013 - “Filipenses – A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja”.

Tema: Filipenses - a humildade de Cristo como exemplo para a Igreja
FIQUE POR DENTRO DO TEMA DA REVISTA EBD JOVENS E ADULTOS 3° TRIMESTRE 2013 CPAD  
Comentarista: Pr. Elienai Cabral
Eis o título das lições:

Lição 1: Paulo e a igreja de Filipos.
Lição 2: Esperança em meio a adversidade. 
Lição 3: O comportamento dos Salvos em Cristo. 
Lição 4: Jesus o modelo ideal da humanidade.
Lição 5: As virtudes dos Salvos em Cristo.
Lição 6: A fidelidade dos Obreiros do Senhor.
Lição 7: A atualidade dos conselhos Paulinos. 
Lição 8: A suprema aspiração do crente. 
Lição 9: Confrontando os inimigos da cruz de Cristo.
Lição 10: A alegria dos Salvos em Cristo.
Lição 11: Uma vida cristã equilibrada.
Lição 12: A reciprocidade do amor cristão.
Lição 13: O sacrifício que agrada a Deus.

A CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) divulgou recentemente o tema que será abordado nas Escolas Dominicais de todo o país que utilizam a sua revista, para o 3º Trimestre de 2013. Trata-se da Carta de Paulo aos Filipenses. o subtítulo escolhido foi: "A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja" 

A escolha do tema reflete a perspectiva que a CPAD vem adotando já há algum tempo de anualmente estudar um livro ou assunto relacionado ao Antigo Testamento e outro ao Novo Testamento, deixando os dois trimestres restantes para assuntos com temática mais abrangente. 

Fico feliz pela escolha do livro de Filipenses, carta escrita por Paulo quando estava aguardando julgamento em prisão domiciliar, e que, apesar de tais circunstâncias é chamada por Eugene Peterson de "a carta mais alegre de Paulo". Nela, aprendemos a partir do exemplo de Cristo o valor da humildade e a verdadeira base da alegria cristã. Que nos legremos durante este trimestre! 

Vale a pena lembrar que o 3º Trimestre na EBD começa no dia 7 de Julho e estende-se até o dia 29 de setembro.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

QUE VALOR TEM A VIDA HUMANA NO BRASIL?




QUE VALOR TEM A VIDA HUMANA NO BRASIL?
Ciro Sanches Zibordi

Há 16 anos — mais precisamente no dia 20 de abril de 1997 —, o índio Galdino Jesus dos Santos foi queimado vivo em uma parada de ônibus, em Brasília-DF. Esse crime bárbaro, que chocou todo o país, ocorreu um dia após a comemoração do dia do Índio e até hoje recebe destaque na grande mídia. Mais uma vez, porém, a impunidade triunfou, uma vez que os criminosos ficaram pouco tempo na cadeia e com muitas regalias.

Tenho grande respeito pelos índios, não apenas por causa de sua história de sofrimento — decorrente da exploração perpetrada pelos europeus —, mas sobretudo porque eles são seres humanos. Por outro lado, fico incomodado quando vejo a grande mídia fazendo acepção de pessoas e, sob a égide da defesa das minorias, querendo sugerir, ainda que de modo tácito, que a vida de um índio (ou de qualquer integrante de um grupo minoritário) é mais valiosa do que a de outrem.

Ontem, por exemplo, uma dentista foi queimada viva, em seu consultório, em São Bernardo do Campo-SP, porque tinha apenas R$ 30,00 em sua conta bancária! Mas não vemos indignação na grande mídia, no meio artístico, entre os pretensos ativistas de direitos humanos e os formadores de opinião. Por quê?

Porventura, a vida daquele índio valia mais que a vida da profissional mencionada? Por acaso, os mauricinhos que incendiaram aquele índio tiveram uma motivação mais torpe ou fútil? Não me oponho ao fato de a imprensa fazer alarde quanto a assassinatos e atos violentos motivados por preconceito, racismo e intolerância religiosa. Mas, e os outros homicídios igualmente dolosos que acontecem diariamente? Por que não geram tanta indignação?

Ora, não existe motivação menos ou mais torpe quando se mata cruel e intencionalmente! Quem queima um índio só porque é índio e quem incendeia uma dentista só porque não tem dinheiro são assassinos cruéis, ainda que se queira divagar sobre a diferença entre motivação e motivação.

A pergunta que fica é: Qual é o valor da vida humana, seja esta de um branco, negro, índio, homem, mulher, criança, adolescente, adulto, heterossexual, homossexual, ateu, católico, evangélico, etc.? Neste país, as minorias e as maiorias — isto é, a maior parte do povo brasileiro — não têm segurança, tampouco a sensação de segurança. O medo se instalou na sociedade, visto que aqui se mata por motivos abaixo da linha da banalidade.

Basta discutir com alguém no trânsito para levar um tiro. Aliás, basta trafegar pelas ruas e avenidas para ir ao encontro de uma bala perdida! Até quando assistiremos a tudo isso de modo impassível?

Ciro Sanches Zibordi

domingo, 21 de abril de 2013


Há salvação fora do cristianismo?

Como interpretar João 10.16:
Há salvação fora do cristianismo?

Todos os salvos têm a certeza da salvação porque creram no Senhor Jesus e se arrependeram de seus pecados (Jo 3.16 e Rm 10.9,10). Mas, o que o Mestre quis dizer em João 10.16, ao mencionar “outras ovelhas”, de outro aprisco? Estaria Ele aludindo à salvação fora do cristianismo? Haveria, a partir dessa passagem, uma abertura para acreditarmos que muçulmanos, budistas, espíritas, etc. poderão ser salvos, mesmo permanecendo nessas religiões?

Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5 e At 4.12). Qualquer religioso, ao se converter de verdade, passa a trilhar o único caminho para a salvação (Jo 14.6), visto que é impossível receber a Cristo como Salvador e continuar abraçando a reencarnação ou outras doutrinas anticristãs. A quem, pois, o Mestre se referiu em João 10.16? Alguns estudiosos argumentam que as “outras ovelhas” seriam os judeus helenistas, dispersos pelo mundo. Mas o próprio Evangelho de João mostra que o Mestre se referiu aos salvos do mundo todo. Considerando que, em João, o Senhor afirma que a mensagem de salvação é para o mundo inteiro (1.10 e 12.32), as “outras ovelhas” seriam judeus e gentios, indistintamente (7.35-39). Aliás, nesse mesmo Evangelho, o Senhor Jesus é chamado textualmente de “o Salvador mundo” (4.42).

Não existe salvação fora de Cristo e, consequentemente, do verdadeiro cristianismo, posto que este é formado por indivíduos que obedecem àquEle. Ao dizer “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco”, o Senhor se referiu, à luz do Novo Testamento, ao resultado da Grande Comissão (Mt 28.19 e Mc 16.15), que teria início após sua morte e sua ressurreição (Jo 11.46-52; 17.20-23). Aliás, no próprio capítulo 10 de João, o Senhor Jesus asseveou: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo” (v9 – ARA).

Diante do exposto, a resposta bíblica à pergunta em apreço é a seguinte: as condições para se obter a salvação em Cristo Jesus — que se dá exclusivamente pela sua graça (Tt 2.11) — são duas: arrependimento e fé, as quais estão casadas (Mc 1.15 e At 2.38ss). O infrator crucificado ao lado de Jesus, por exemplo, não era evangélico, mas, ao arrepender-se de seus pecados e crer no Salvador, ouviu deste a seguinte promessa: “hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.43).

Ser evangélico não é uma condição para ser salvo. Mas pertencer a uma igreja evangélica — compromissada com a Palavra de Deus, que ama o próximo, prega o Evangelho e obedece à sã doutrina — em geral indica que houve conversão (At 3.19). Por outro lado, diferentemente do que assevera o papa Bento XVI, a salvação não é exclusividade de uma religião pretensamente cristã, como o catolicismo. Religião alguma pode salvar alguém (Ef 2.8-10). Pertencemos a uma igreja porque temos a necessidade de cultuar a Deus de modo coletivo, desfrutar de comunhão e aprender uns com os outros etc. 

Ciro Sanches Zibordi
Artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz de março de 2013



sábado, 13 de outubro de 2012

Espíritos enganadores


Pelas Sagradas Escrituras, compreendemos que estamos nos últimos tempos da Igreja na Terra. Todos os sinais que precedem a Vinda de Cristo estão tendo o seu cumprimento cabal. Entre eles, a apostasia da fé promovida por Satanás e seus demônios. “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios”, 1Tm 4.1. Dentro da linguagem evangélica, entendemos que Satanás tem comissionado seus demônios como “espíritos enganadores” que se intrometem no seio da igreja para enganar. Não temos que adivinhar onde estão e como operam tais espíritos, porque temos o Espírito Santo, que habita na vida da Igreja para revelar os ardis e as obras de engano. 

Na passagem citada, apóstolo Paulo reforçou o papel do Espírito Santo: “O Espírito expressamente diz...”. O contexto dessa passagem desvenda graciosamente para a Igreja “o mistério da piedade” na pessoa de Jesus Cristo e a Igreja como agente demonstrador desse mistério. Portanto, a Igreja está na Terra para sustentar essa revelação de Jesus Cristo contra os poderes do mal, porque ela é “a coluna e firmeza da verdade”.

Precisamos entender que existem dois mistérios sobrenaturais propagados por agentes humanos: o de Deus e o do Diabo. O mistério de Deus é propagado pela Igreja e o mistério do Diabo é propagado por “espíritos enganadores” influenciados por demônios. O Espírito Santo vive na Igreja de Cristo para torná-la apta a refutar as sutilezas do Diabo. 

A expressão espíritos enganadores pode ter uma referência dupla, tanto a demônios literalmente como a homens que se tornam agentes de demônios. A Bíblia os identifica como “homens maus e enganadores... enganando e sendo enganados” (2Tm 3.13; 2Jo 7 e 2Pe 2.1). Existem pessoas que se colocam a serviço de Satanás para propagar e disseminar doutrinas falsas e negar as verdades divinas. Essas pessoas tornam-se, indubitavelmente, “espíritos enganadores”.

“Últimos tempos” equivale à expressão “últimos dias” do apóstolo Pedro em sua mensagem no Dia de Pentecostes (At 2.17). A palavra de Paulo a Timóteo mostra que Satanás opera e manifesta o mistério da iniqüidade nestes últimos tempos, quando se constata a exploração do misticismo em nome do Evangelho de Cristo. “Espíritos enganadores” se intrometem no seio das igrejas e produzem falsos sinais e prodígios para impressionar as pessoas. Aqueles crentes incautos e símplices acabam se deixando levar pelo engano. A Palavra de Deus é torcida e heresias surgem de modo assustador.

Os espíritos de engano envolvem a muitas pessoas, as quais acabam se tornando instrumentos de iniqüidade sob o comando subjetivo de Satanás. Esse tipo de problema tem produzido, também, racionalismo barato e incredulidade quanto aos milagres sobrenaturais. Para deter a operação do espírito do engano, a liderança evangélica precisa ensinar mais a Palavra de Deus ao povo. A liturgia de nossos cultos está sendo sufocada por programações tão extensas e intensas que não há mais espaço para a Palavra de Deus. Somente a Palavra poderá sufocar e deter ao poder dos espíritos enganadores que se intrometem em nossas igrejas.

A palavra apostasia significa negação e abandono da fé cristã. Nos primórdios da Igreja, Paulo já percebia alguns sinais típicos do ataque sorrateiro dos espíritos de engano. O texto faz-nos entender que certas pessoas desqualificadas espiritualmente se deixariam levar por esses espíritos, tornando-se agentes do engano. Essas pessoas produziriam conceitos falsos de salvação, de santidade, de regras sociais. Algumas igrejas e lideranças acabam se desviando das prioridades divinas e aderem à práticas incoerentes com o verdadeiro cristianismo, insuflando falsos conceitos, para dominar os sentimentos e os corações das pessoas por procedimentos antibíblicos. Esses “espíritos enganadores” induzem as suas vitimas ao auto-engano, pois se escravizam a certos comportamentos que ofendem ao Espírito Santo. Nós fomos chamados à liberdade em Cristo, não à escravidão de regras de homens. Normalmente, esses espíritos enganadores enganam-se a si mesmos porque não conseguem praticar suas próprias regras e idéias. Que Deus nos guarde dos espíritos enganadores!

Pr. Elienai Cabral
http://www.cpadnews.com.br/blog/elienaicabral/

Não tenha medo!


Deus cumpre as Suas promessas na vida dos Seus filhos

Eu convido o prezado leitor a meditar comigo em uma mensagem na carta aos Hebreus 10.22,23: “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa. Retenhamos firmes a confissão de nossa esperança; porque fiel é o que prometeu”.

Somos dependentes de Deus. A nossa vida é 100 % entregue nas mãos de Deus. O Senhor tem gerado recursos para a nossa sobrevivência, através do calor emanado do sol, do ar que respiramos e da chuva que mantém a vida no planeta. Logo, como criaturas de Deus, estamos sob a sua gerência, e dEle adquirimos a vida, a saúde, a paz, o ânimo e a inteligência, e somos impulsionados a trabalhar a fim de conseguirmos nosso sustento e o de nossos dependentes. Deus é o Senhor de tudo ao nosso redor e da vida humana.

A Bíblia Sagrada registra milhares de bênçãos e promessas concebidas por Deus aos homens. Talvez o leitor tenha promessas divinas para serem cumpridas em sua vida, mas como alcançá-las? Como receber de Deus as Suas promessas? Prezado leitor, Deus não falha! E para enfatizar o que digo, vou lhe contar um exemplo registrado nas páginas da Bíblia.

Havia um jovem de cerca de 17 anos ao qual o Senhor prometera, através de dois sonhos, que um dia estaria governando, inclusive com seus irmãos prostrados e com a sua família a observar a beleza de sua administração. Aquele jovem atravessou momentos difíceis em sua vida, mas todas as vezes que leio a história desse jovem, chamado José, observo que por 13 anos ele experimentou um verdadeiro suplício, porque ele foi jogado em uma cova por seus irmãos, logo foi vendido como um escravo, depois o rapaz trabalhou na casa de Potifar, e mais tarde enfrentou a calúnia da esposa de seu patrão e acabou nas masmorras. Apesar das circunstâncias nada favoráveis, aquele jovem mantinha em seu coração a esperança de um dia o Senhor cumprir a Sua promessa em sua vida. Tempos depois, o prisioneiro experimentou o cumprimento da promessa divina, isso porque Deus cumpre com Seus compromissos.

Outro jovem que podemos tomar como exemplo é Davi. Ele ainda era responsável pelos rebanhos de Jessé, seu pai, quando o Senhor Deus o escolheu para ser rei de Israel. Observamos que a promessa em sua vida era uma realidade, mas o jovem belemita aguardou o tempo de Deus. Nós conhecemos a biografia de Davi e seu sofrimento, mas ele jamais perdeu a esperança de ver cumprida a promessa divina. E depois de todas as dificuldades, o jovem pastor assumiu o governo de Israel.

Por isso, eu desejo enfatizar que Deus tem promessas que se cumprem literalmente na vida do ser humano. Creia e você verá também o cumprimento de todas as promessas divinas em sua vida!

Pr. José Wellington

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A Origem Do Dia Das Crianças



O Dia das Crianças é uma data comemorada em diferentes países. De acordo com a história e o significado da comemoração, cada país escolhe uma determinada data e certos tipos de celebração para lembrar de seus menores. Ao mesmo tempo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)convencionou o dia 20 de Novembro para se comemorar o dia das crianças.

A escolha desta data se deu porque nesse mesmo dia, no ano de 1959, o UNICEF oficializou a Declaração dos Direitos da Criança. Nesse documento, se estabeleceu uma série de direitos válidos a todas as crianças do mundo como alimentação, amor e educação. No caso brasileiro, a tentativa de se padronizar uma data para as crianças aconteceu algumas décadas antes.

Em 1923, a cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, sediou o 3º Congresso Sul-Americano da Criança. No ano seguinte, aproveitando a recente realização do evento, o deputado federal Galdino doValle Filho elaborou o projeto de lei que estabelecia essa nova data comemorativa. No dia 5 deNovembro de 1924, o decreto nº 4867, instituiu 12 de Outubro como data oficial para comemoração do Dia das Crianças.
Entretanto, a data não se tornou uma unanimidade.
imediata. Somente em 1955, a data começou a ser celebrada a partir de uma campanha de marketing elaborada por uma indústria de brinquedos chamada Estrela. Primeiramente, EberAlfred Goldbergdiretor comercial da empresa, lançou a chamada “Semana do Bebê Robusto”. O sucesso da campanha logo atraiu a atenção de outros empresários ligados à indústria de brinquedos.
Com isso, lançaram uma campanha publicitária promovendo a “Semana da Criança” com oobjetivo de alavancar as vendas. Os bons resultados fizeram com que esse mesmo grupo de empresários revitalizassema comemoração do “12 de outubro” criado pelo deputado Galdino. Dessa forma, o Dia das Crianças passou a incorporar o calendário de datas comemorativas do país.

Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O LIVRO DOS SALMOS



O nome do Livro tem origem na Vulgata, onde recebe o nome de Liber Psalmorum e seu significado é: “Livro de Cânticos ou Livro de Louvores”. É o Hinário e Livro de Orações de Israel. O livro, que é o mais citado no Novo Testamento, foi utilizado imensamente no Ministério de Jesus Cristo. Ele retrata profundamente as experiências do homem no mundo e sua relação com Deus, através da Adoração. Os Salmos engrandecem e louvam ao Senhor, exaltando o Seu Nome, Seus Atributos, Sua Palavra.

O Conteúdo e o Objetivo

O conteúdo principal do livro é louvor, oração e adoração e seu objetivo visa a aproximação do homem com o Senhor.

Autoria

A autoria do livro não é exclusiva. Ele foi composto, em um intervalo de aproximadamente mil anos, por pelo menos 11 autores, conforme segue:

Davi é considerado autor dos 72 salmos que levam seu nome;
Asafe – 12 – (profeta e diretor do coro no tempo de Davi);
Salomão – 2 – (72 e 127);
Moisés – 1 – (90);
Hemã (Cantor e Profeta do Rei);
Esdras;
Etã – 1 – (Cantor);
Ezequias (Rei de Judá);
Os filhos de Coré (dirigentes dos cultos em Israel);
Jedutum (Cantor-mor do Tabernáculo).
Aproximadamente 50 Salmos têm autores desconhecido.
É provável que antes de Davi houvessem poucos Salmos que formavam um hinário para culto divino. Davi aumentou consideravelmente a coleção que teria sido terminada por Esdras.

Divisão

O Livro é originalmente dividido em cinco partes ou livros menores. Cada divisão é encerrada por uma doxologia (hoje as doxologias estão numeradas como se fossem apenas versos, mas elas são elementos distintos do texto, fazendo o encerramento de cada sub-livro sendo que a doxologia final faz o fechamento do livro como um todo. Os Salmos são divididos conforme abaixo:

Livro I – Salmo 1.1 ao 41.12 (doxologia 41.13)
Livro II – Salmo 42.1 ao 72.17 (doxologia 72.18,19)
Livro III – Salmo 73.1 ao 89.51 (doxologia 89.52)
Livro IV – Salmo 90.1 ao 106.47 (doxologia 106.48)
Livro V – Salmo 107.1 ao 149 (doxologia 150.1-6)

Fonte de Pesquisa: Bíblias de Estudo e o Manual Bíblico de Haley.

domingo, 2 de setembro de 2012

O ladrão, em João 10.10, não é o Diabo?



É preciso ter muito cuidado com alguns ensinadores que se apresentam como propagadores de “verdades ocultas”. Eles formulam teorias esdrúxulas e argumentações incongruentes, e as apresentam como “grandes descobertas” na Internet. Ao mesmo tempo que, mediante jogo de palavras, opõem-se à inspiração plenária da Bíblia (2 Tm 3.16,17, ARA) e se mostram contrários aos ministérios eclesiásticos instituídos por Deus (Ef 4.11; 1 Co 12.28) e ao culto coletivo (Mt 18.20; At 2.46), questionam tudo o que já temos aprendido.

Será que merecem crédito esses pseudo-weberuditos que questionam as já consagradas interpretações de textos da Bíblia e os ensinamentos que ouvimos desde a nossa infância? Eu, por exemplo, cresci ouvindo que, em João 10.10, Jesus se referiu ao Diabo, ao dizer: “O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir”. Grandes expoentes das Assembleias de Deus afirmavam isso, como Bernhard Johnson, Eurico Bergstén e Valdir Bícego. Estavam todos eles enganados?

Há um pseudo-weberudito — ou webenganador — que anda dizendo, em vídeos no YouTube e em DVDs contendo informações aterrorizantes (as quais ele chama de jornalísticas), que o ladrão, em João 10.10, não é o Diabo. Segundo ele, o povo de Deus tem sido enganado pelos pastores mercenários que só querem as ofertas e os dízimos do povo... Apresentando-se como advogado do Diabo, em um dos vídeos que ele mesmo produz, assevera que o Senhor Jesus nada fala a respeito do Inimigo no aludido versículo. Será?

Bem, os exegetas e teólogos que se prezam sabem que a Bíblia é análoga e que ela apresenta verdades de modo denotativo e conotativo. O primeiro está ligado ao sentido literal do texto; possui vínculo direto de significação (sem sentidos derivativos ou figurados) que um nome estabelece com um objeto da realidade. Mas a conotação é diferente; ela está relacionada com o sentido que uma palavra ou coisa sugere mediante o estudo dos contextos imediato, remoto, geral, referencial, literário, histórico e cultural.

Em João 10, o Senhor Jesus apresenta verdades de modo conotativo, como o próprio contexto imediato indica: “Jesus disse-lhes esta parábola” (v.6). E Ele, metaforicamente, chamou a si mesmo de o Bom Pastor (v.11) e aos seus seguidores de ovelhas: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz” (v.27). Quando Ele empregou o termo “ladrão”, no singular e no plural, referiu-se a quem? Ao Diabo e aos seus agentes, sem dúvida nenhuma. Isso é ponto pacífico para quem prioriza a regra áurea da Hermenêutica: “A Bíblia interpreta a própria Bíblia”.

Depois de mencionar “ladrões” (Jo 10.1,8), o Senhor Jesus estabelece um contraste entre Ele (que veio para nos dar vida com abundância) e o ladrão (que vem para roubar, matar e destruir). Ora, quem é o maior Inimigo do Senhor Jesus? Quem é “o ladrão”, e não “um ladrão”? Quem é o principal roubador, assassino e destruidor, oponente daquEle que veio para nos dar a vida eterna, à luz da analogia geral da Bíblia? Indubitavelmente, é o Diabo.

Portanto, você que é pregador, ensinador, articulista ou escritor, não dê ouvidos a esses webenganadores de plantão, que se dispõem a “reinventar a roda”. Continue afirmando, sem nenhum problema, que o ladrão, o Diabo, não vem senão a roubar, a matar e a destruir. Mas não se esqueça de dizer também que o Senhor Jesus veio para nos dar vida, e vida com abundância!


Ciro Sanches Zibordi

A Bíblia é a Palavra de Deus (Parte 6)


A influência benéfica da Bíblia nas pessoas e nações

O mundo hoje é melhor devido à influência da Bíblia. Mesmo os próprios inimigos da Bíblia admitem que nenhum livro em toda história da humanidade teve tamanha influência para o bem. Eles reconhecem o seu efeito sadio na civilização. Milhões de pessoas, antes de conhecerem, amarem e obedecerem a esse Livro, eram escravos do pecado, dos vícios, da idolatria, do medo, das superstições, da feitiçaria. Eram mundanas, vaidosas, iracundas, desconfiadas etc. Mas, depois que abraçaram esse Livro, foram por ele transformadas em criaturas salvas, alegres, libertas, felizes, santificadas. Abandonaram todo o mal em que antes viviam e tornaram-se boas pessoas para a família, para a sociedade e para a pátria. Não há outro livro com o poder de influenciar e transformar beneficamente, não só indivíduos, mas regiões e nações inteiras, conduzindo-os a Deus.

Disse o grande comentador devocional da Bíblia, doutor. F. B. Meyer: “O melhor argumento em favor da Bíblia é o caráter que ela forma”.

Vejamos um pouco da condição moral de alguns povos sem a Bíblia:

1) Os gregos – Dentre os povos antigos, os gregos foram os mais cultos e doutos nas letras. Seus filósofos e literatos foram os maiores de todos os tempos. No entanto, a grande cultura grega e seus livros sem conta nunca detiveram a onda de licenciosidade, impureza e idolatria que sempre prevaleceu no mundo grego. Em Corinto, por exemplo, havia, no templo de Vênus, mil mulheres devotas que traziam ao seu tesouro os lucros de sua impureza. Sócrates fazia da moral o assunto único da sua filosofia e, mesmo assim, recomendava a adivinhação, e ele próprio se entregava à fornicação. Platão, o grande discípulo de Sócrates, ensinava que mentir era coisa honrosa. A sabedoria deles e seus milhares de livros não os conduziram à salvação desses e de outros males. Platão e Sócrates também foram homossexuais ativos, como relata o historiador romano Suetônio.

2) Os romanos – Foram mais famosos como legisladores, guerreiros, oradores e poetas. Sua legislação, em parte, era boa, porque em parte veio de Moisés (o maior legislador). Muitas das leis brasileiras vêm das leis portuguesas, que, por sua vez, vieram das romanas, hauridas, como já dissemos, do Pentateuco. No entanto, o padrão dos costumes e da moral foi dos mais baixos em Roma, como bem registra a História. Mesmo entre as famílias abastadas, civilizadas e regularmente construídas, as descobertas arqueológicas, gravuras e descrições revelam fatos que o recato proíbe enumerar. Cícero, o maior orador romano, um espécime de excelência dentre os romanos, defende a fornicação e a recomenda, e, por fim, pratica o suicídio. Catão, o Censor, tido como o mais perfeito modelo de virtude, foi réu da prostituição e embriaguez, advogou e, mais tarde, praticou o suicídio.

Júlio César tinha encontros amorosos com o rei Nicomedes da Bitínia. O imperador Calígula (37-41dC) viveu amasiado com sua irmã Drusila (conta Suetônio). Nero, o famigerado imperador romano, viveu com sua irmã Agripina. Viveu depois amasiado com dois eunucos, o primeiro chamado Sporus e o segundo, Doríphorus (relata Suetônio). Messalina, a imperatriz, esposa de Cláudio, imperador de 41dC a 54dC, foi extremamente depravada (registra Juvenal).

Se era assim entre a classe alta, o que não acontecia na classe baixa?

É somente a Bíblia que nos faz ser diferentes desses povos. Sem ela, nós nos tornaríamos semelhantes a eles. O nosso mundo orgulha-se hoje de ter atingido os píncaros do saber e de haver produzido os mais importantes e melhores livros, entretanto a onda de pecado e mal avassala a humanidade como um rolo compressor. Comparemos tudo isso com o caráter, a formação, a personalidade ideal dos verdadeiros seguidores da Bíblia!

Todo homem que vive a Bíblia, pautando sua vida pelos seus santos ensinos, também ama a Deus e vive para Ele. Por outro lado, todos os que se opõem à Bíblia e rejeitam sua autoria divina, vivem para si mesmos; são obstinados, cruéis, desumanos, instáveis, prepotentes; ímpios, acima de tudo. Em suma, quanto mais o homem crê em Deus, mais aproxima-se da Bíblia. É como disse certa senhora crente a um moço, nos Estados Unidos: “Este livro te guardará do pecado ou o pecado te guardará deste livro”.

Quanto à educação, não há filosofia educacional segura se não for alicerçada sobre os ensinos fundamentais da Bíblia. A educação moderna reconhece que a formação do caráter é a suprema finalidade de seu trabalho, mas isso não irá longe, a menos que se reconheça que a única base do verdadeiro caráter é a Bíblia. Fé na Bíblia é a maior força de qualquer moço ou moça na prossecução da vida e da carreira educacional. A mocidade precisa saber disso. A tragédia é que, professores aos milhares em todo o mundo, saturados e narcotizados por falsa dialética e filosofia vil, desencaminham os jovens, desde a mais tenra idade.

A Bíblia é o livro mais maravilhoso do mundo e seus ensinos tão simples, e ao mesmo tempo profundos, servirão de guia para uma vida mais feliz e mais bem sucedida, sendo sempre a base segura e única para encontrarmos o nosso Criador na eternidade.

Considerando tudo que acabamos de dizer quanto à influência poderosa da Bíblia e seu poder transformador, evidenciado tanto nos indivíduos como em nações inteiras, perguntamos: “De onde vem tal livro, senão de Deus?”



A Bíblia é a Palavra de Deus (Parte 5)


O cumprimento fiel das profecias bíblicas

O Antigo Testamento é um livro de profecias (Mt 11.13). O Novo Testamento, em grande parte, também o é. Referimo-nos aqui, evidentemente, às profecias no sentido preditivo. Há, no Antigo Testamento, duas classes dessas profecias: as literais e as expressas por tipos e símbolos. Destas há inúmeras no Tabernáculo (Hb 10.8).

Muitas profecias da Bíblia já se cumpriram no passado, em sentido parcial ou total. Muitas outras cumprem-se em nossos dias, e muitas outras ainda se cumprirão no final. As profecias sobre o Messias, proferidas  séculos antes de seu nascimento, cumpriram-se literalmente e com toda precisão quanto ao tempo, local e outros detalhes. Por exemplo: Gênesis 49.10; Salmos 22; Isaías 7.14; Isaías 53 (todo); Daniel 9.24-26; Miquéias 5.2; Zacarias 9.9 etc.

Outro ponto saliente nas profecias bíblicas é o referente à nação israelita. A Bíblia prediz sua dispersão, seu retorno, sua restauração e seu progresso material e espiritual. Exemplos: Levítico 26.14,32-33; Deuteronômio 4.25-27; 28.15,64; Isaías 60.9; 61.6; 66.8; Jeremias 23.3; 30.3; Ezequiel 11.17; 36; 37.

Em Ezequiel 37, está uma das mais claras profecias sobre o despertamento nacional e espiritual do povo israelista. O cumprimento dessas profecias está em marcha perante nossos olhos. Há inúmeros outros casos de famosas profecias bíblicas. Deus chamou Ciro, o monarca persa, pelo nome através do profeta Isaías cerca de 150 antes do seu nascimento! (Is 44.28). Josias, rei de Judá, também foi chamado pelo nome 300 anos antes do seu nascimento (1Rs 13.2 e 2Rs 23.15-18.) Os últimos quatro impérios mundiais – Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma – são admiravelmente descritos muitos anos antes de eles surgirem no horizonte do cenário mundial (Dn 2 e 7). Também, com uma precisão incrível, a história de toda a humanidade é descrita em forma profética (isto é, a história no sentido natural) em Gênesis 9.25-27.

O cumprimento contínuo das profecias da Bíblia é uma prova de sua origem divina. O que Deus disse sucederá (Jr 1.12). Graças a Deus por tão sublime e glorioso Livro!

No próximo artigo, falaremos sobre a influência benéfica da Bíblia sobre as pessoas e nações.



A Bíblia é a Palavra de Deus (Parte IV)


A aprovação da Bíblia por Jesus e o testemunho do Espírito no crente

Inúmeras pessoas sabem quem é Jesus. Crêem que Ele fez milagres, crêem em sua ressurreição e ascenção, mas.... não crêem na Bíblia! Essas pessoas precisam conhecer a atitude e a posição de Jesus em relação à Bíblia. Ele leu-a (Lc 4.16-20), ensinou-a (Lc 24.27), chamou-a “a Palavra de Deus” (Mc 7.13) e cumpriu-a (Lc 24.44).

A última referência citada (Lc 24.44) é muito maravilhosa, porque aí Jesus põe sua aprovação em todas as Escrituras do Antigo Testamento, pois Lei, Salmos e Profetas eram as três divisões da Bíblia nos dias do Novo Testamento.

Jesus também afirmou que as Escrituras são a verdade (Jo 17.17), viveu e procedeu em conformidade com elas (Lc 18.31) e declarou que o escritor Davi falou pelo Espírito Santo (Mc 12.35,36). No deserto, ao derrotar o grande inimigo, fê-lo com a Palavra de Deus (Dt 6.13,16; 8.3).

Aproveitando, uma nota: O título “Sagradas Escrituras” ou “Escrituras” pode vir no plural ou no singular, porém sempre com a letra maiúscula. Exemplos no plural: Mateus 21.42; Lucas 24.32; João 5.39. No singular e letras minúsculas, refere-se a uma passagem particular: Marcos 12.10; Lucas 4.21 e Atos 1.16 (são todas no ARC; a ARA põe tudo em maiúsculas). “Sagradas Escrituras” ou “a Sagrada Escritura” é o nome sagrado da revelação divina, assim como “Testamento” é o seu nome de compromisso e “Bíblia”, seu nome como livro.

Bem, Jesus aprovou o Antigo Testamento. Mas e o Novo?

Quanto ao Novo Testamento, em João 14.26, o Senhor Jesus, antecipadamente, pôs o selo de sua aprovação divina ao declarar: “O Espírito Santo... vos ensinará todas as coisas, e vos fará tudo quanto vos tenho dito”. Assim sendo, o que os apóstolos ensinaram e escreveram não foi a recordação deles mesmos, mas a do Espírito Santo. No mesmo Evangelho (Jo 16.13-14), o Senhor disse ainda que o Espírito Santo  os guiaria em “toda a verdade”. Portanto, no Novo Testamento temos a essência da revelação divina. No versículo 12 do citado capítulo, Jesus mostrou que seu ensino aqui  foi parcial, devido á fraqueza dos discípulos, mas ao mesmo tempo declarou que o ensino deles, sob a ação do Espírito Santo, seria completo e abrangeria toda a esfera da verdade divina.

Diante de tudo que acabamos de dizer, quem aceita a autoridade de Cristo, aceita também as Escrituras como de origem divina, tendo em vista o testemunho que delas dá o Senhor Jesus.
 
Testemunho do Espírito no crente
 
Em cada pessoa que aceita Jesus como Salvador, o Espírito Santo põe em sua alma a certeza quanto à autoridade da Bíblia. É uma coisa automática. Não é preciso ninguém ensinar isso. Quem de fato aceita Jesus aceita também a Bíblia como a Palavra de Deus, sem argumentar. Em João 7.17, o Senhor Jesus mostra como podemos ter dentro de nós o testemunho do Espírito Santo quanto à autoridade divina da Bíblia: “Se alguém quiser fazer a vontade de Deus...”. Assim como o Espírito Santo testifica que nós, os crentes, somos filhos de Deus (Rm 8.16), testifica-nos também que a Bíblia é a mensagem de Deus para nós mesmos.

Esse testemunho do Espírito Santo no interior do crente, no tocante às Escrituras, é superior a todos os argumentos humanos. É aqui que labora em erro a Igreja Católica Romana, ao afirmar que, para se crer na origem divina da Bíblia, é preciso decisão da referida igreja, como se a verdade de Deus dependesse da opinião de homens, como bem o disse o teólogo e reformador Calvino.

No próximo artigo, falaremos sobre o cumprimento fiel das profecias bíblicas.



A Bíblia é a Palavra de Deus (Parte III)


A perfeita harmonia e unidade das Sagradas Escrituras

A existência da Bíblia até os nossos dias só pode ser explicada como um milagre. Há nela 66 livros, escritos por cerca de 40 escritores, cobrindo um período de 16 séculos. Esses homens, na maior parte dos casos, não se conheceram. Viveram em lugares distantes de três continentes e escrevendo em duas línguas principais. Devido a essas circunstâncias, em muitos casos, os autores nada sabiam do que já havia sido escrito. Muitas vezes um escritor iniciava um assunto e, séculos depois, um outro completava-o com tanta riqueza de detalhes que somente um livro vindo de Deus podia ser assim. Uma obra humana, em tais circunstâncias, seria uma babel indecifrável!

Consideremos alguns pormenores dessa harmonia.

1) Os escritores – Foram homens de todas as atividades da vida humana, daí a diversidade de estilos encontrados na Bíblia. Moisés foi príncipe e legislador, além de general; Josué foi um grande comandante; Davi e Salomão, reis e poetas; Isaías, estadista e profeta; Daniel, chefe de Estado; Pedro, Tiago e João, pescadores; Zacarias e Jeremias, sacerdotes e profetas; Amós era homem do campo e cuidava do gado; Mateus, funcionário público; Paulo, teólogo e erudito, e assim por diante. Apesar de toda essa diversidade, quando examinamos os escritos desses homens, sob tantos estilos diferentes, verificamos que eles se completam, tratando de um só assunto! O produto da pena de cada um deles não gerou muitos livros, mas um só livro, poderoso e coerente!



2) As condições – Não houve uniformidade de condições na composição dos livros da Bíblia. Uns foram escritos na cidade, outros no campo, no palácio, em ilhas, em prisões e no deserto. Moisés escreveu o Pentateuco nas solitárias paragens do deserto. Jeremias, nas trevas e sujidade da masmorra. Davi, nas verdes colinas dos campos. Paulo escreveu muitas de suas epístolas nas prisões. João, no exílio, na Ilha de Patmos. Apesar de tantas diferentes condições, a mensagem da Bíblia é sempre única. O pensamento de Deus corre uniforme e progressivo através dela, como um rio que, brotando de sua nascente, vai engrossando e aumentando suas águas até tornar-se caudaloso. A mensagem da Bíblia tem essa continuidade maravilhosa!

3) Circunstâncias – As circunstâncias em que os 66 livros foram escritos também são as mais diversas. Davi, por exemplo, escreveu certas partes de seus trabalhos no calor das batalhas; Salomão, na calma da paz. Há profetas que escreveram em meio à profunda tristeza, ao passo que Josué escreveu boa parte de seu livro durante a alegria da vitória. Apesar da pluralidade de condições, a Bíblia apresenta um só sistema de doutrinas, uma só mensagem de amor, um só meio de salvação. De Gênesis a Apocalipse, há uma só revelação, um só pensamento, um só propósito.

4) A razão dessa harmonia e unidade – Se a Bíblia fosse um livro puramente humano, sua composição seria inexplicável. Suponhamos que 40 dos melhores escritores atuais, providos de todo o necessário, fossem isolados uns dos outros, em situações diferentes, cada um com a missão de escrever uma obra sua. Se no final reuníssemos todas as obras, jamais teríamos um conjunto uniforme. Seria a pior miscelânea imaginável! Imagine, então, isso acontecendo nos antigos tempos em que a velha Bíblia foi escrita... A confusão seria muito maior! Não havia meios de comunicação como hoje, nem facilidades materiais, mas dificuldades de toda a sorte. Imagine o que seria a Bíblia se não fosse a mão de Deus!

Não há na Bíblia contradição doutrinária, histórica ou científica. Uma coisa maravilhosa é que essa unidade não jaz apenas na superfície. Quanto mais profundo for o estudo das Sagradas Escrituras, tanto mais ela aparecerá. Há, é certo, na Bíblia, aparentes contradições. Seus inimigos sustentam haver erros nela em grande quantidade. Mas o que acontece é que, estando alguém com uma trave no olho, sua visão fica deformada. Um espírito farisaico, ceticista e orgulhoso sempre achará falhas na Bíblia, porque já se dirige a ela com idéias preconcebidas e falsas.

Há uma história interessante de uma senhora que estava falando das roupas amarelas que sua vizinha punha a secar no varal, porém, na semana seguinte, lavando ela sua vidraça e olhando para fora, disse: “A vizinha mudou muito. Suas roupas estão alvas agora”. Mas era sua vidraça que estava suja! A diferença estava aí.

Se alguma falha for encontrada na Bíblia, será sempre do lado humano, como tradução mal feita, grafia inexata, interpretação forçada, má compreensão de quem estuda. Falsa aplicação aos sentidos do texto etc. Portanto, quando encontrarmos na Bíblia um trecho discrepante, erramos ao pensarmos rapidamente que é um erro. Saibamos refletir como Agostinho, que disse: “Num caso desses, deve haver erro do copista, tradução mal feita do original ou então sou eu mesmo que não consigo entender”. Seguindo esse critério para estudar as aparentes discrepâncias, você verá que nunca encontrara erros de fato nas Sagradas Escrituras.

Quanto à unidade física da Bíblia, ninguém sabe ao certo como os 66 livros se encontraram e se agruparam num só volume. Isso foi obra de Deus! Sabemos que os escritores não escreveram os 66 livros de uma vez, nem em um só lugar, nem com o objetivo de reuni-los num só volume, mas em intervalos, durante 16 séculos e em lugares que vão da Babilônia a Roma!

Reiteramos, portanto, que a perfeita harmonia desse livro é, para a mente humilde e sincera, uma prova incontestável de sua origem divina. É uma prova de que uma única mente via tudo e guiava os escritores.

Suponhamos que, na cidade onde moramos, um edifício fosse ser construído com pedras a serem preparadas em várias partes do Brasil. Chegadas as pedras, ao serem colocadas, encaixavam-se perfeitamente na construção, satisfazendo todos os detalhes e requisitos da planta. Que diria você se tal fato acontecesse? Que apenas um arquiteto dirigira os operários nas diversas pedreiras, dando minuciosas instruções a cada um deles. É o caso da Bíblia, o templo da verdade de Deus. As “pedras” foram preparadas em tempos e lugares remotos, mas, ao serem postas juntas, combinaram-se perfeitamente, porque atrás de cada elemento humano estava em operação a mente infinita de Deus.

No próximo artigo, falaremos sobre a relação de Jesus com as Escrituras.

Pr. Antônio Gilberto  http://www.cpadnews.com.br/blog/antoniogilberto/